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Payback: como calcular e o que é

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Atualmente, incerteza e instabilidade são características do dia-a-dia de milhões de brasileiros. Os quais se encontram em um ambiente hostil aos negócios, devido aos efeitos da pandemia. De acordo com a revista Veja, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro saiu da 6º posição mundial, em 2011, para chegar na 12º, em 2020. Além dessa queda, houve desvalorização do Real frente ao Dólar e instabilidade política, o que amedronta os investidores. 

Dessa forma, uma maneira de evitar desperdiçar dinheiro com investimentos sem projeções de sucesso é através da análise de variáveis de desempenho, como o payback. Sendo assim, é indispensável saber seu conceito, sua importância e como calculá-lo.

O que é o payback?

Esse termo, derivado do inglês, significa retorno. E, sua função é calcular o tempo em que o investimento inicial será quitado por meio dos rendimentos acumulados. Assim, é utilizado para apurar a viabilidade de empreendimentos que ainda serão inaugurados e, também, para negócios que já existem e querem inovar . Como por exemplo, a compra de uma máquina capaz de cortar e dobrar aço ou que consuma menos energia.

Qual sua importância?

O payback é indispensável à saúde financeira de qualquer empresa, haja vista que fornece ao investidor uma estimativa do tempo para recuperar o valor investido. Por outro lado, indica o tempo em que será necessário arcar com todos os custos. Já que, até o período de payback, o capital adquirido será direcionado para quitar a dívida assumida.

Além disso, serve de base para a decisão e análise de diferentes tipos de investimentos possíveis. Ao analisar sua situação financeira de maneira crítica, o investidor é capaz de entender qual é seu maior objetivo e, dessa forma, inferir qual é a melhor opção para captar recursos. Supondo que a conclusão foi de que é necessário capital próprio com urgência, é inteligente que ele escolha a opção com menor período de payback. Entretanto, se as finanças estão tranquilas e não há pressa para entradas de caixa, outras premissas, como o Valor Presente Líquido (VPL), podem ser mais interessantes.

Payback e o fluxo de caixa

A princípio, é necessário conceituar o fluxo de caixa. Sendo assim, trata-se do registro de todos os eventos que afetaram o setor financeiro da instituição, sejam eles de saídas ou entradas. Dessa forma, o conceito de payback está atrelado ao de fluxo de caixa. Isto, porque é necessário mensurar, com confiabilidade, quais serão as receitas e as despesas do período, para poder chegar à conclusão de quando a dívida assumida será, finalmente, quitada. 

Outro ponto importante é o que diz respeito ao planejamento do fluxo de caixa com as alterações causadas pelo novo investimento. Isto é, como as saídas de caixa são dispendiosas, é preciso que tudo esteja programado, na intenção de estabelecer quais recebimentos serão dedicados a pagar as dívidas. Além disso, é sempre importante que a instituição mantenha reservas de capital, já que imprevistos podem surgir.

Vantagens e desvantagens do conceito

Algumas vantagens do Payback são que o conceito e a fórmula, que será vista adiante, são de fácil compreensão. Isto é, quando comparado a outros indicadores, como, por exemplo, o Valor Presente Líquido (VPL) ou a Taxa Interna de Retorno (TIR). Dessa forma, é utilizado como uma ferramenta rápida para análise de projetos.

Já quando se trata de desvantagens, a principal delas é que o conceito não leva em conta os fluxos de caixa que acontecem depois de o investimento inicial ter sido recuperado. Ou seja, um projeto pode ser descartado por ter um período de retorno muito alto. No entanto, suas entradas de caixa futuras poderiam ser extremamente favoráveis e tê-lo tornado uma boa opção.

Payback simples e descontado

O payback simples não leva em conta o valor do dinheiro no tempo. Consequentemente, sua fórmula apenas subtrai todos os saldos de fluxo de caixa do investimento inicial. Já para o payback descontado, é necessário descontar os fluxos de caixa futuros pela taxa de custo de capital, ou seja, trazê-lo ao valor atual, por meio de uma taxa.

Exemplo: uma transportadora de encomendas, que atua em todas as regiões do Brasil, sentiu aumento da sua demanda durante a pandemia. Dessa forma, a empresa, que conta com 150 caminhões, decidiu, então, adquirir mais 40 para potencializar a expansão. Com isso, foi apurado que o investimento inicial será de 50 milhões. Enquanto os fluxos de caixa dos cinco primeiros anos serão, respectivamente, de 8, 12, 14, 15 e 16 milhões, e o custo de capital será de 7,5% ao ano. 

Dessa forma, com base na tabela abaixo, é possível perceber que o payback simples ocorre no quarto ano, que corresponde ao último período em que o saldo é negativo. No entanto, para apurar os meses, é preciso dividir o último saldo negativo pelo fluxo de caixa do próximo ano. Ou seja, (-1.000.000/16.000.000), que resulta em –0,0625 meses e corresponde a 22 dias. Portanto, o payback simples dessa situação seria de 4 anos e 22 dias.

Payback descontado:

Já para o cálculo do payback descontado, leva-se em conta todas as receitas descontadas ao presente, ilustrada pela fórmula:

Para calcular o valor presente, variável indispensável ao conceito de payback descontado, utiliza-se o valor futuro, que é o fornecido pelo enunciado, o qual será dividido pela taxa de custo de capital, somada a um e elevada ao número de períodos, nesse caso, de um ano. Além disso, é válido ressaltar que essa fórmula deve ser aplicada a todos os cinco anos fornecidos pelo enunciado. Assim, o próximo passo é somar todos os valores e identificar em qual ano o saldo passa a ser maior que o valor do investimento inicial. Entretanto, para um período mais detalhado, a forma mais simples é por meio do Excel, que fornecerá, nesse caso, valor de 4,87 anos, ou seja, aproximadamente 4 anos e 10 meses.

Portanto, é possível perceber as aplicabilidades do conceito de payback e suas diferentes formas de cálculo. Sua principal função é ajudar os investidores, no Brasil e no mundo, a decidir se o projeto é viável em decorrência de seu tempo de retorno. E, no caso de desempate, qual deles atende melhor às expectativas da empresa. Desse modo, caso haja interesse no aprofundamento acerca do assunto, recomenda-se a leitura do livro, “Análise de viabilidade de projetos”, do autor Filipe Eduardo Martins Guedes e de outros textos técnicos presentes no blog. Além disso, é importante ressaltar que, diante de tantas instabilidades no contexto brasileiro, o investimento em algum negócio precisa de investigações criteriosas e aprofundadas, que são proporcionadas, por exemplo, pelo Plano de Negócios da PUC Consultoria Jr.

Texto escrito por Luana Balestrin, consultora de projetos da PUC Consultoria Jr.

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