Storytelling: o que é e como aplica-lo no dia a dia do seu negócio

15 minutos para ler

Storytelling: o que é e como aplicá-lo no dia a dia do seu negócio

Você sabe o que é Storytelling? Esse termo que tem dominado o mundo do marketing digital, em tradução livre, significa narrativa. Mas o que isso tem a ver com o seu relacionamento com o cliente? É sobre o que vamos falar e como você pode se sobressair usando essa ferramenta ao seu favor.

O Storytelling realmente se trata de uma narrativa, mas que é usada para passar a sua mensagem ao cliente, ao mesmo tempo que o envolve e o enche de emoções. O Storytelling permite que haja uma aproximação entre a mensagem transmitida e o cliente, fazendo com que ele se lembre mais facilmente dela e que ela tenha mais valor social, aumentando o poder de conexão.

Embora seja uma expressão muito conhecida atualmente, o Storytelling não é uma ferramenta nova. Ela recebeu essa nomenclatura que a tornou famosa, mas essa prática já acontece há muitos anos e funciona desde sempre. Um exemplo clássico de Storytelling que marcou a sociedade brasileira foi a música “Eduardo e Mônica” da banda Legião Urbana, que foi uma ferramenta utilizada pela operadora de telefonia Vivo, para exaltar a facilidade de conexão e comunicação entre pessoas, que no caso foi um casal apaixonado.

Portanto, o Storytelling não se dá apenas pelas palavras, o marketing de conteúdo pode ser feito por vídeo, imagens e sons, desde que feito com criatividade. A música em questão é conhecida pela maioria dos brasileiros, e contém os traços acima mencionados, uma vez que passa emoção, faz com que as pessoas se identifiquem e que se lembrem facilmente da mensagem passada. Se aplicado no dia a dia da sua agência, pode melhorar seus resultados e seu relacionamento com o cliente.

Por que o Storytelling funciona e sua importância nos negócios

De acordo com o psicólogo Jerome Bruner, através de seus vários estudos sobre psicologia cognitiva, um fato tem 20 vezes mais chances de ser lembrado quando associado a uma história. Esse poder da narrativa está muito associado à sua capacidade de humanizar, aproximar e criar vínculos. As pessoas associam as histórias a acontecimentos da própria vida, ou se identificam com um personagem que possuem as mesmas características que elas.

Em uma de suas pesquisas, o professor de psicologia e neurociência da Universidade de Princeton, Uri Hasson, busca compreender os fatores que implicam em um bom entendimento mútuo entre pessoas que estão dialogando. Hasson diz que há um processo de acoplamento cerebral, onde quanto mais alinhados os padrões cerebrais entre falante e ouvinte, melhor será o entendimento. Ele chega à conclusão de que a narrativa faz com que haja esse entendimento mútuo entre as pessoas, que ela proporciona o alinhamento dos padrões cerebrais.

Além do embasamento científico para reforçar a força do Storytelling, podemos recorrer à nossa condição humana, a da curiosidade. Somos seres naturalmente curiosos, e quando vemos uma série, é comum assistirmos a vários episódios de uma vez apenas para descobrir o final. Assim, já tendemos a nos interessar por histórias e como elas vão terminar.

Considerando todos esses fatores, o Storytelling irá mudar o seu negócio e a forma como você se relaciona com o seu cliente. Essa ferramenta é importante para aumentar o tráfego no seu site, proporcionando um funil de vendas mais agitado. Também aumenta o grau de entendimento e até mesmo confiança entre o negócio e o cliente, além de fazê-lo se lembrar da sua agência na hora de fazer aquela indicação.

Como começar a aplicar?

Antes de mais nada, é preciso definir alguns pontos para de fato implementar a ferramenta na sua agência. Um ponto essencial e que não pode ser ignorado é que o Storytelling precisa, necessariamente, trazer a verdade. Isso significa que, não adianta querer encantar o cliente se valendo de histórias que não ocorreram, por melhores que elas sejam. Esse é um passo em falso que pode prejudicar muito o negócio, então sempre se valha de experiências, de fatos que aconteceram com clientes ou histórias pessoais que possam tocar o leitor e fazê-lo se identificar.

Dito isso, existem algumas perguntas que devem ser feitas antes da elaboração da história. Você deve entender o que você quer falar, para quem, o porquê, onde, quando e como. Para tratar de cada um desses pontos, faça cada pergunta isoladamente e tente responder de forma sucinta, pois essa será a construção do esboço da sua história, que vai te guiar na definição da estrutura da história.

Então, o que você quer falar para o leitor? Qual é a mensagem que você quer que fique ao fim da história? Em seguida, para quem é essa mensagem ou conteúdo? Você tem um público bem definido? Por que você quer passar essa mensagem? Aumentar as vendas, engajar melhor o tráfego, melhorar a conexão com seu cliente… Defina bem o motivo.

Próximo: onde você quer fazer o Storytelling? Em se tratando de produção de conteúdo, o local onde ele será veiculado é de fundamental importância para a adequação da linguagem, visto que abordagem no Linkedin, por exemplo, será diferente de uma abordagem no Instagram. O quando e como se trata do melhor momento para fazer a história e da melhor estratégia em sua construção. Ainda nesse texto você entenderá a estrutura de deve ter uma narrativa para que ela alcance seus fins almejados.

Estrutura da narrativa

Para fazer Storytelling não basta montar uma história bonita e comovente com um objetivo definido. Essa parte também é essencial, no entanto, a história deve ter uma estrutura. Ela deve ter início, meio e fim e deve ser objetiva, além de, claro, ter um final que faça sentido.

Início: O início da história deve começar com a apresentação dos personagens, com um foco maior no protagonista – ou herói. Deve ser mostrado sua rotina e onde se passa a história, para que quem está acompanhando consiga se situar e até mesmo já se identificar com o personagem. Também é importante que já seja apresentado nesse primeiro momento o incidente incitante, que é basicamente o conflito que será resolvido pelo protagonista.

Meio: Uma vez que o conflito já foi introduzido nessa história, esse é o momento de trabalhar em cima dele, aumentando cada vez mais as complicações. E é quando deve ser apresentada também a resposta do herói para o problema. Caso sua narrativa tenha o intuito de promover sua solução através de um case de sucesso, aqui é onde você irá mostrar os problemas que seu cliente estava tendo antes da sua solução e a decisão que ele tomou.

Fim: O final da história é composto por algumas sub-etapas. Em primeiro lugar porque será a crise final do herói, onde existem consequências sobre a resposta dada. É também nesse momento que acontece o clímax, em que a decisão do protagonista o coloca diante de um confronto. E por, o tão esperado momento, a solução! Ela é a resolução do conflito e pode ser positiva, negativa, irônica ou passar uma lição. Voltando para a ideia do case de sucesso, é onde você mostra a situação do cliente após ter investido em sua solução.

Será exemplificado a seguir essa estrutura do Storytelling com uma música do Chico Buarque.

Exemplo – Geni e o Zeppelin

A música Geni e o Zeppelin, do cantor Chico Buarque é um grande exemplo de Storytelling, em que é possível ver nitidamente a estrutura apresentada acima. Mas antes de a explorarmos, é interessante observar que o cantor definiu bem os critérios para compor a música, como público alvo, motivo, lição e outros pontos que já foram mencionados.

Ele fez a música direcionada à sociedade, e tinha o intuito de tecer a crítica a uma sociedade hipócrita. Ele fez isso através da música e seguiu a estrutura acima. Logo, caso não tenha escutado a música, ela se trata de uma mulher chamada Geni que se envolve com pessoas da camada excluída da sociedade, e é rigidamente criticada e julgada. Quando surge um zeppelin na cidade e ameaça destruí-la, a única salvação é Geni, que é objeto de desejo do comandante e condição para não dizimar a cidade. Vamos detalhar os acontecimentos e observar cada etapa da estrutura do Storytelling:

Início:

Geni é a protagonista da história – a heroína. Ela é apresentada como uma mulher bondosa que preza pelos menos favorecidos e apresenta comportamentos reprovados pela sociedade. Esta que sempre a ataca e a menospreza, até que surge um Zeppelin com canhões e orifícios para destruir a cidade. O comandante do Zeppelin diz que resolveu destruir a cidade por vê-la com “tanto horror e iniquidade”, mas que mudaria de ideia se Geni o servisse.

Podemos ver a apresentação dos personagens, da protagonista, de sua rotina e onde se passa a história. Logo é apresentado o incidente que gera conflito: toda a cidade está apavorada pela iminência de sua destruição, e a decisão de salvar a cidade está nas mãos da heroína.

Meio:

A princípio a sociedade fica revoltada com a escolha do comandante, já que Geni era uma mulher tão desprezível. No entanto, a situação piora quando a própria protagonista disse que preferia os bichos do que se deitar com aquele homem. A cidade apavorada beija as mãos de Geni e a implora para ir com o comandante, dizendo que ela iria os redimir. 

Nesse momento vemos o problema aumentando, quando a sociedade fica indignada com a escolha do comandante. No entanto, tudo piora quando Geni se recusa a aceitar o pedido do comandante, e a sociedade se desespera. Essa é a primeira resposta da heroína (lembrando que a narrativa não necessariamente deve ter duas respostas).

Fim:

Geni aceita se submeter ao desejo do comandante, percebendo que os pedidos da população são sinceros. O ato é consumado e o comandante vai embora antes do amanhecer, deixando a sociedade aliviada. Geni pensa em descansar, mas é impedida pela sociedade alegre e barulhenta, que comemora a vitória e volta a repudiar a heroína.

O clímax é justamente esse momento de desespero da sociedade, que não tem outra opção a não ser implorar a ajuda de Geni, a mulher a quem sempre desprezou. No entanto, também vemos o dilema de Geni, que sente asco do comandante mas se compadece com a situação dos desesperados. A decisão da protagonista é aceitar as súplicas, essa é sua segunda resposta e é a definitiva. As consequências são negativas para Geni, que passou por uma situação extremamente desagradável. Em contraponto, a sociedade está em êxtase por ter sido salva e volta a desprezar Geni, que não é mais necessária e volta a ser o mal da sociedade.

A música de Chico Buarque segue uma estrutura e consegue passar sua mensagem. Os ouvintes se lembram facilmente da canção e conseguem assimilar perfeitamente a crítica deferida à sociedade. Esse é o intuito do Storytelling: permanecer na memória das pessoas e fazê-las se lembrarem da mensagem. 

Alguns elementos do Storytelling

O Storytelling é composto de alguns elementos, dos quais já abordamos indiretamente no decorrer do texto:

  • Público alvo: Uma das perguntas que você teve que fazer a princípio para guiar sua história, foi definir para quem você queria falar. Esse é justamente o público alvo. Porém, em se tratando de produção de conteúdo, vai um pouco além: se trata de segmentação de mercado. De conhecer de forma um pouco mais profunda sobre o seu público, seus interesses e hábitos. Caso queira entender melhor sobre a importância do público alvo e como defini-lo, confira nosso texto sobre o assunto aqui.
  • Confiabilidade da narrativa: Você pode usar sua opinião e experiência para contar a história, pois isso a tornará mais autêntica e diferenciada do que já é encontrado usualmente no mercado. Entretanto, se basear apenas na opinião não confere bases sólidas, não te garante autoridade no assunto. Portanto, alie sua opinião com dados comprovados sobre o assunto e garanta que as pessoas acreditem e lhe garantam mais confiabilidade.
  • Título interessante: O título é o primeiro contato do cliente com o seu conteúdo, portanto, traga algo que irá chamar atenção. No mundo da produção de conteúdo é comum vermos uma proliferação de textos e histórias sobre o mesmo assunto. Assim, o que te garante que a pessoa que está navegando irá clicar no seu site? Ou parar na sua publicação? O título! Definitivamente aqui vale a ideia de que uma boa primeira impressão é primordial. Então capriche no título!

Esses são alguns dos principais elementos do Storytelling, que você não pode deixar de considerar. Eles serão a base para que sua história faça sucesso e fique de fato na mente das pessoas.

Dicas para um bom Storytelling

Caso você ainda ache um pouco difícil criar sua narrativa para se conectar com seu público, aqui vão algumas dicas para que seja mais fácil construir as primeiras narrativas.

Começar pelo desfecho:

Essa é uma técnica que funciona melhor quando a narrativa é composta por vídeo. Isso porque as pessoas ficam mais curiosas para saber o desenrolar da história até determinado final quando essa história tende a ser interessante. No caso de uma narrativa curta e objetiva, que costuma ser o foco do Storytelling, não há muito o que desenrolar do enredo para que a história se torne instigante. Um exemplo de conteúdo que desperta o interesse mesmo que todos conheçam o final, é o Titanic.

Dramatizar:

Essa também funciona melhor em vídeos ou áudios, que são mais dinâmicos e permitem que um certo suspense seja transmitido através do tom de voz ou dos gestos visuais. No entanto, se considerarmos histórias escritas longas, um bom e bem construído drama poderá prender a atenção do leitor. O drama serve para trazer mais emoção à narrativa, e dessa forma, o leitor se identifica mais com os personagens e sensações, aumentando o poder da história.

Moral da história:

As pessoas adoram narrativas que tem como objetivo passar uma lição, um aprendizado. Isso porque muitas das vezes as pessoas se identificam com certos valores, e têm a sensação de que estão sendo entendidas, de fazerem parte de algo.

Histórias já conhecidas:

Fazer uso de histórias que já são conhecidas pela maioria é uma escolha muito acertiva. Não é à toa que o famoso clichê nunca perde a graça! As pessoas já possuem uma expectativa em relação ao enredo, e estarão curiosas para ver o desenrolar da história, e em que ponto será diferente daquela que elas já conhecem. Introduzir um diferencial na história é uma forma de se destacar.

Essas são algumas formas de se inspirar para criar sua própria narrativa. Adapte ao seu negócio e aumente as chances de criar um Storytelling de sucesso. Não deixe de introduzi-lo na sua agência, pois seus resultados são comprovados e cada vez mais empresários estão o utilizando em seu benefício.

Conclusão

O Storytelling é uma ferramenta utilizada para aumentar a conexão entre empresa e o cliente, além de fazer com que ele se lembre mais facilmente da mesma. É uma ferramenta com eficácia comprovada, e devido a esse fato tem se tornado cada vez mais comum entre os negócios, independente do nicho.

Fazer um bom Storytelling é possível desde que alguns pontos sejam respeitados, e o essencial é que a narrativa seja verdadeira. Vimos também que a história deve ter uma estrutura, composta por elementos que devem ser incorporados ao ser apresentados ao ouvinte ou leitor. 

Caso você queira se aprofundar na criação de narrativas autênticas e interessantes e se tornar um especialista em Storytelling, leia o livro “A jornada dos heróis”, da autora Patrícia Calazans. Ela foca em ensinar os princípios para a criação de histórias que criam conexão emocional, que é justamente o objetivo do Storytelling.

Se o seu objetivo é aumentar suas vendas, visibilidade e tráfego da sua agência, a PUC Consultoria Júnior conta com o serviço de Plano de Marketing, que pode alavancar seus resultados e melhorar a imagem da sua marca. Se quiser entender melhor como o marketing pode transformar o seu negócio, clique aqui. Qualquer dúvida, entre em contato conosco!

Posts relacionados

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.